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Rendas em Portugal Subirão 0.43% em 2022

Rendas em Portugal Subirão 0.43% em 2022


Já mostramos aqui e aqui como a inflação de preços tem atingido Portugal e toda a zona euro. E não é de se espantar que isto se refletiria nos arrendamentos. Na semana passada, foi anunciado que, em Portugal, os senhorios poderão aumentar as rendas no próximo ano de acordo com a inflação, ficando 0.43% mais caras. Os dados foram publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Porém, o senhorio não é obrigado a atualizar a renda de acordo com a inflação.


Pode parecer um aumento pequeno, mas não deixa de ser um efeito inflacionário. Como mencionado aqui, se não houvesse inflação gerada pelo banco central, haveria uma tendência de deflação de preços, aumentando o poder de compra e o padrão de vida dos indivíduos. Quando há inflação monetária, na melhor das hipóteses, os preços baixam pouco, não se alteram ou aumentam pouco. A inflação monetária por parte do BCE impede que o poder de compra do euro aumente.


Este aumento de 0.43% em 2022 é superior apenas ao registado em 2016 (0.16%). Em 2020, o aumento foi de 0.51%; em 2019, 1.15%; em 2018, 1.12%; e, em 2017, 0.54%. Isto é um aumento acumulado de 3.91% em 6 anos.


Ativos imobiliários e ativos financeiros são dois dos mais afetados pela inflação de preços. Estes, devido ao facto de que a taxa de juro artificialmente baixa aumenta o valor presente das receitas futuras das empresas, o que valoriza suas ações; aqueles, devido ao facto de terem uma estrutura de produção mais alongada e intensiva em capital, sendo muito sensíveis à taxa de juro.


A matéria da ECO também menciona que o coeficiente de atualização das rendas é aplicado tanto às rendas habitacionais (renda livre ou renda apoiada) como às não habitacionais (comerciais e industriais). Ficam fora desta atualização os contratos de arrendamento realizados antes de 1990 (no caso dos habitacionais) ou de 1995 (no caso dos não habitacionais), assim como os que se encontrem em processo de transição para o Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU). Uma vez apurado o coeficiente de atualização das rendas, este tem de ser publicado no Diário da República até 30 de outubro. Somente depois disto é que os senhorios podem avisar aos inquilinos que vão alterar as rendas. Uma vez comunicada esta intenção por escrito, a alteração do valor da renda a cobrar aos inquilinos pode ser feita 30 dias depois.


O BCE já afirmou que o encerramento da política expansionista seria maléfica à recuperação. E, portanto, caso o quantitative easing permaneça a ser feito (sobretudo se os governos não diminuírem os seus défices orçamentários e o BCE seguir comprando seus títulos), será mais difícil impedir a pressão na inflação de preços. Como já mencionamos, a expansão monetária por parte do banco central gera maus investimentos (não sustentáveis a médio/longo prazo pois não foram lastreados por poupança prévia) que eventualmente terão de ser liquidados por uma recessão. E o cenário de taxas de juro baixas (próximas a 0%) ou negativas leva a uma economia repleta de empresas zumbis, maus investimentos sustentados pela inflação monetária. Já em 2015 as empresas zumbis em Portugal representavam 14.3% do emprego e 10% do endividamento.


A recuperação, na verdade, não é legítima, nem sustentável, pois não ocorre através da realocação de recursos, mas, sim, de mais expansão monetária por parte do banco central (o que eventualmente leva a outra recessão). A contínua expansão monetária impede um aumento do poder de compra da moeda e do padrão de vida.



André Marques