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O que são as Empresas Zumbi?

O que são as Empresas Zumbi?



Taxas de juros artificialmente baixas causam ciclos económicos e tornam a economia mais frágil e suscetível a crises financeiras. Mas duas das outras diversas consequências da manutenção deste arranjo são as empresas zumbis e salários reais mais baixos.


A maioria dos bancos centrais, sobretudo em países desenvolvidos, tem mantido as taxas básicas de juro negativas ou muito próximas a 0% (neste caso, as taxas de juro reais ficam negativas, considerando a inflação). Títulos de dívida pública de mais longo prazo (10 anos ou mais) também estão a taxas negativas (ou muito próximas a 0%), como consequência dos programas de Quantitative Easing (QE). Até mesmo Portugal, que em 2020 atingiu uma dívida pública de 133.6% do PIB e é um dos países mais endividados e arriscados da zona euro, paga apenas 0.14% no seu título de 10 anos, como é possível observar na tabela abaixo. Quanto mais arriscado é o país, maiores são os juros que tem de pagar sobre seus títulos. Em um ambiente sem a intervenção do banco central, a precificação dos ativos financeiros (incluindo títulos públicos) tenderia a refletir o real risco que possuem. Mas, com as compras dos títulos pelos bancos centrais através do QE, seus preços aumentam artificialmente e os juros caem para patamares que não refletem o real risco destes ativos, distorcendo a perceção de risco dos investidores e aumentando a alavancagem do mercado financeiro.


Figura 1 - Rendimentos dos Títulos de Dívida Pública de 10 Anos (11/08/2021)


Fonte: countryeconomy.com


Observe que a diferença do rendimento do título de Portugal (0.14%) em relação aos da Alemanha (-0.45%) e da Suíça (-0.40%), que são países historicamente muito mais fiscalmente responsáveis que Portugal (em 2020 a dívida pública da Alemanha foi de 69.8% do PIB; na Suíça, 42.9% do PIB), não chega nem sequer a 1%. Isto demonstra a distorção da precificação destes títulos.


Mas por que os indivíduos e as instituições financeiras compram estes títulos se não há retorno? A lei da preferência temporal foi abolida magicamente? Não. É preciso considerar que não é possível retirar o dinheiro depositado em bancos na sua totalidade. Como temos um sistema bancário de reservas fracionárias garantido pelos governos através dos bancos centrais, a maior parte dos depósitos nas contas dos clientes não possui contraparte em dinheiro em espécie (que pode ser levantado/sacado pelos clientes). A maioria do dinheiro (mais de 85%) está na forma de dígitos eletrónicos, e apenas uma quantia mínima (não mais do que 10%) está na forma de cédulas e moedas. Então, não é possível retirar todos os depósitos (sobretudo quando se trata de grandes instituições, com muito dinheiro) e guardá-los fora do sistema bancário. Além disto, é possível obter ganhos de capital com títulos de longo prazo. Quando as taxas de juro dos títulos caem, seus preços sobem (e vice-versa). Portanto, ao vender o título antes de seu vencimento e após uma queda de seus juros, ganha-se com o aumento de seu preço. Por exemplo, se alguém compra um título por 100 euros e o revende por 102 euros (após uma queda dos juros), há um ganho de 2 euros. Veja mais detalhes aqui.



Estas taxas de juro dos títulos dos governos artificialmente baixas também puxa as taxas de juro de títulos corporativos para baixo. Assim, o endividamento das empresas também segue a aumentar, assim como o risco nos quais incorrem. Nos EUA, por exemplo, até mesmo empresas já profundamente mergulhadas em dívida seguem a aumentar seu endividamento, que atingiu US$ 1.1 mil bilhões/trilhões em 2019.


Isto aumenta, portanto, o número de empresas zumbis. De acordo com o Bank of International Settlements (BIS), empresas zumbis são aquelas que, com 10 anos ou mais de existência, possuem o rácio EBIT (earnings before interest and taxes – receitas antes de juros e impostos)/gastos com juros menor do que 1. Ou seja, é uma empresa que mal sobrevive devido ao constante refinanciamento de sua dívida, e que cujo lucro operacional não é suficiente nem sequer para cobrir seus gastos com os juros da dívida, muito menos para pagar o principal.


As empresas zumbis não geram valor, visto que não geram lucro. É sustentada através de um crescente endividamento, recursos que poderiam ser utilizados por outras empresas que potencialmente poderiam gerar lucro, investindo em produtividade (aumento da produção com diminuição dos preços). Quanto maior é o número de empresas zumbis, menores são, portanto, os investimentos produtivos, visto que as empresas que ainda geram lucro se veem com menos recursos para investir (já que têm de competir contra um crescente número de empresas zumbis por uma oferta de crédito que é usada em uma quantia cada vez maior para financiar o endividamento das empresas zumbis e dos governos).


Se há menos investimento em produtividade, significa que há menos produção e uma menor pressão para baixar os preços. Assim, na melhor das hipóteses, os preços permanecem constantes ou aumentam pouco (isto ainda sem considerar a inflação provocada pelos governos através dos bancos centrais); na pior, há menos produção de bens e serviços e os preços sobem mais. E, em quaisquer hipóteses, o salário real dos indivíduos tende a cair.


A zumbificação das empresas, portanto, torna a economia mais frágil e suscetível a crises financeiras (visto que a tomada de risco aumenta conforme o endividamento sobe), além de diminuir o poder de compra dos indivíduos.



André Marques