Reservas de ouro por País

Cotação Diária da Prata em €

Cotação Diária da Ouro em €

Contacte-nos

Rua de Santo André - Centro Comercial Parque da Cidade Loja L, 2º Piso 4560 - 221 Penafiel Telefone:+351 255 214 495 Email:info@elementum.pt
Telefone: +351 255 214 495 Email: info@elementum.pt

Governo Substitui os CTPC e Diminui os Juros

  • Home
  • /
  • Notícias
  • /
  • Governo Substitui os CTPC e Diminui os Juros

Governo Substitui os CTPC e Diminui os Juros



Na semana passada, o governo anunciou que irá substituir os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento (CTPC), lançados em 2017, pelos Certificados do Tesouro Poupança Valor (CTPV), com rentabilidades mais baixas.


Como anunciado no comunicado do conselho de ministros, “O Conselho de Ministros aprovou hoje, por via eletrónica, a resolução que cria os Certificados do Tesouro Poupança Valor, um instrumento de poupança que permite o acesso a dívida pública por parte dos cidadãos, com taxa fixa garantida e características que se aproximam das atuais condições de financiamento da República.”


Esta mudança surge no contexto da expectativa da manutenção das taxas de juros artificialmente baixas por parte do Banco Central Europeu (BCE) por mais tempo. Taxas de juro mais baixas significam menos rendimento para investimentos de renda fixa (o preço dos títulos aumentam e os juros caem). Desta forma, para obter um rendimento maior, o investidor vê-se obrigado a investir em ativos mais arriscados, como ações. Ações são mais arriscadas sobretudo num contexto de taxas de juro artificialmente baixas + quantitative easing, pois se cria uma economia “zumbificada” e inflacionária, o que faz com que as empresas se endividem mais e invistam menos em produtividade. Isto, por sua vez, aumenta o risco das mesmas, pois um aumento de juros (por menor que seja) pode deixar a empresa em dificuldades financeiras -  já que sua produtividade (que poderia aumentar suas receitas ao longo do tempo) não aumenta -  de maneira que haja uma queda de suas ações, e perdas para os investidores.


Se o banco central não interferisse na taxa de juros, esta seria determinada pela preferência temporal presente na economia (portanto, jamais poderia ser negativa). Desta forma, o incentivo à poupança seria maior (pois haveria um retorno maior e mais sustentável, já que os juros não seriam controlados), havendo boas oportunidades na renda fixa. E investimentos em ações seriam menos arriscados, pois os ciclos económicos seriam mitigados.


As taxas de juro da zona euro são: Deposit Facility Rate (taxa que os bancos podem utilizar para fazer depósitos overnight no eurosistema), Main Refinancing Operations Rate (taxa que provê a maior parte da liquidez ao sistema bancário) e Marginal Lending Facility Rate (que oferece crédito overnight aos bancos do eurosistema). Veja estas taxas na figura 1 (Main Refinancing Operations Rate: linha azul, Marginal Lending Facility Rate: linha vermelha, Deposit Facility Rate: linha verde).


A figura 2, por sua vez, mostra o título de dívida de 10 anos de Portugal, que está a render apenas 0.22%, como é possível ver na figura 2 (lembrando que a dívida pública de Portugal em 2020 fechou em 133.6% do PIB). A título de comparação, o título de dívida de 10 anos da Suíça (cuja dívida fechou em 42.9% do PIB em 2020 e cuja economia é muito mais economicamente livre, e, portanto, saudável, do que a portuguesa) está a render -0.29% (figura 3). Uma diferença que não reflete o real risco do título português.


Figura 1 - Taxas de Juro da Zona Euro (2013-2021)


Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


Figura 2 - Rendimento do Título de Dívida de 10 Anos de Portugal (06/08/2020 – 13/09/2021)


Fonte: countryeconomy.com


Figura 3 - Rendimento do Título de Dívida de 10 Anos da Suíça (09/07/2020 – 13/09/2021)


Fonte: countryeconomy.com


A intervenção do banco central na taxa de juros, portanto, elimina bons investimentos (e sustentáveis) tanto na renda fixa (títulos) quanto na renda variável (ações).


Os CTPC têm a maturidade de sete anos e oferecem uma taxa média bruta de 1,35%, acrescida de um prémio a partir do segundo ano em função do crescimento da economia.


Não houve informações, entretanto, sobre a taxa de remuneração dos CTPV, sua maturidade, e nem se vão, também, entregar bónus em função do desempenho da economia.

 


André Marques