Reservas de ouro por País

Cotação Diária da Prata em €

Cotação Diária da Ouro em €

Contacte-nos

Rua de Santo André - Centro Comercial Parque da Cidade Loja L, 2º Piso 4560 - 221 Penafiel Telefone:+351 255 214 495 Email:info@elementum.pt
Telefone: +351 255 214 495 Email: info@elementum.pt

O que são os Juros

O que são os Juros



Neste artigo, pretendo explicar brevemente o que são os juros segundo a Escola Austríaca de Economia.  Para isto, é necessário compreender o sistema de formação de preços e o conceito de preferência temporal.


Para a Escola Austríaca, o preço é um sinal que guia decisões de empreendedores e consumidores, sendo essencial para uma alocação de recursos eficiente. Em um livre mercado, os preços guiam as tomadas de decisões de produtores, que empreendem tentando suprir uma demanda específica de consumidores, o que, com o aumento da eficiência e da concorrência, baixa os preços e aumenta a quantia de bens e serviços disponíveis. Henry Hazlitt, em seu livro Economia numa Única Lição, na página 109, explica que quando há um aumento da demanda (sem um aumento da oferta) o preço sobe, o que aumenta os lucros daquele que fabrica o artigo (passando a produzir mais). Assim, outros empreendedores são atraídos para este setor. Esse aumento da oferta reduz o preço e a margem de lucro (podendo gerar prejuízo). Nesse caso, os produtores ‘marginais’ (aqueles menos eficientes, cujo custo de produção é mais elevado) são excluídos do mercado. Desta forma, o produto é fabricado apenas pelos produtores mais eficientes, que operam a custos mais baixos.


Portanto, quando há um controlo de preços (por uma autoridade central) para baixo, de forma a tentar beneficiar o consumidor, ocorre uma escassez de produtos, pois os incentivos para produzir diminuem. Os custos envolvidos na produção são maiores que o preço determinado arbitrariamente.


Este mecanismo de formação de preços também se aplica aos juros, que são o preço mais importante da economia pois influencia diretamente as tomadas de decisão de investimentos, sobretudo os de prazos mais longos. Como já afirmado, para compreender o que são juros, é necessário saber o que é a preferência temporal.


Como explica Hans-Hermann Hoppe neste artigo, nas páginas 7 e 8, a ação humana é influenciada pela preferência temporal. Quando age, o ser humano não apenas deseja substituir uma situação de menor satisfação por uma de maior satisfação (e demonstra uma preferência por mais bens ao invés de menos), mas, também, considera quando seus desejos serão atingidos (o tempo, que é escasso, necessário para tal). Assim, bens presentes tendem a ser mais valorizados que bens futuros. A preferência temporal é diferente em cada indivíduo e pode mudar ao longo do tempo. E, por definição, é sempre positiva. A taxa de juros é a soma de todas as preferências temporais individuais que tende a equilibrar a poupança (oferta de bens presentes em troca de bens futuros) e o investimento (demanda por bens presentes para a geração de retornos futuros). 


Portanto, Hoppe afirma, na página 11, que caso os indivíduos satisfaçam mais suas demandas presentes que as futuras haverá pouca poupança disponível, refletindo uma alta preferência temporal. Caso estejam mais dispostos a adiar parte de seu consumo presente (não é possível adiá-lo por completo pois o indivíduo sempre possui desejos e necessidades presentes) haverá mais poupança disponível, refletindo uma preferência temporal baixa. Uma baixa preferência temporal permite que haja investimentos mais intensivos em capital e mais prolongados, que aumentam a produtividade da economia e o bem-estar dos indivíduos. Isto permite que o consumo seja maior, além de aumentar a produtividade marginal do trabalho (podendo gerar mais empregos e maiores salários reais). O autor argumenta que estes investimentos só são possíveis devido à poupança prévia (abstenção de consumo presente). O crescimento económico advém, portanto, de uma baixa preferência temporal, que leva a um aumento da proporção de poupança e investimento em relação à de consumo, e, consequentemente, a uma taxa de juros baixa que pode sustentar este crescimento.


O autor também afirma, na página 9, que a taxa de juro, por refletir a preferência temporal, é independente da moeda, e, portanto, é um fenómeno real, não monetário. Mesmo que não houvesse moeda, haveria uma taxa de preferência temporal entre os indivíduos e uma taxa de juros, que apenas não seria representada monetariamente.


Para melhor ilustrar este conceito, imagine que você tem 1000 euros e quer usá-los para adquirir um computador pois o seu já não funciona bem e precisa de outro com urgência. Porém, imagine que eu peça 1000 euros emprestados a você e digo que vou pagar no mês seguinte. Bom, considerando que você precisa do dinheiro com urgência, é possível que você não fizesse o empréstimo. Mas imagine que eu prometesse juros de 50%. Para você, é um bom negócio, pois, no mês seguinte, teria 1500 euros e, talvez, pudesse adquirir um computador ainda melhor. Para mim, pode ter sido um fardo financeiro, mas, provavelmente, é porque eu preferi ter os 1000 euros logo a ter de esperar para juntá-los, mesmo tendo de pagar 500 euros de juros. Eu tive uma alta preferência temporal; você, baixa.


Mas imagine que, em vez de mil euros, você tenha dez mil e eu peça mil euros emprestados a você novamente. Será que você cobraria juros tão altos? E se você tivesse 20 mil, 50 mil ou até 100 mil? Possivelmente os juros que cobraria sobre o empréstimo de 1000 seriam menores. Afinal, a oferta de crédito é maior. Claro, você também levaria em consideração o meu histórico de crédito, que teria impacto nos juros que cobraria de mim. Mas, via de regra (e não havendo intervenções do governo), quanto mais baixa for a preferência temporal presente nos indivíduos, maior o nível de poupança tende a ser, e, por consequência, a taxa de juros tende a ser menor.


Nota: alguns conteúdos deste artigo foram adaptados de minha tese de mestrado, disponível aqui.



André Marques