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BCE Pode Aumentar a Taxa de Juros em 2023

BCE Pode Aumentar a Taxa de Juros em 2023



O Banco Central Europeu (BCE) deve subir a taxa de juros dentro de dois anos e espera atingir a meta de inflação de preços de 2% em 2025. Estas informações foram retiradas do Financial Times, que teve acesso a documentos internos do BCE.


O Deposit Facility Rate (taxa que os bancos podem utilizar para fazer depósitos overnight no eurosistema) está em -0.5% desde setembro de 2019. E está em patamar negativo desde junho de 2014. E o balanço do BCE está em cerca de € 8.223 mil bilhões/trilhões:


Figura 1 - Deposit Facility Rate e Balanço do BCE (2009-2021)


Deposit Facility Rate (Linha Verde, Eixo da Esquerda); Balanço do BCE (Linha Laranja, Eixo da Direita).

Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


Como é possível ver na figura acima, desde 2015 o BCE nunca diminuiu o tamanho de seu balanço. O Fed começou a diminuir seu balanço no final de 2017 (mas já em setembro de 2019 voltou a aumentá-lo)  e começou a subir os juros em dezembro de 2015 (mas voltou a baixá-lo no primeiro semestre de 2019). Em dezembro de 2018 houve uma queda significativa nos índices de bolsa americanos e em setembro de 2019 houve uma crise no mercado das operações compromissadas e o Fed passou a injetar liquidez neste mercado (na prática, fazendo Quantitative Easing, aumentando seu balanço).


Considerando que a zona euro também possui governos extremamente endividados, assim como diversas empresas (incluindo empresas zumbi), também há uma dependência muito grande de taxas de juro artificialmente baixas, e, portanto, uma grande má-alocação de recursos. A zona euro está com a taxas de juro negativas há 7 anos e é difícil saber até que ponto estas podem subir sem provocar grandes percalços na economia (assim como aconteceu nos EUA em dezembro de 2018 (quando a taxa de juros estava a 2.5%). Mas não é preciso pensar muito para saber que não é um patamar alto. Assim como o Fed, o BCE não pode subir muito a taxa de juros sem prejudicar a economia (ainda mais do que já está).


A inflação de preços da zona euro atingiu 3% em agosto, acima da meta de 2%. Em julho, o BCE divulgou esta nova meta, que passou a ser um alvo (a ser atingido num “prazo médio”, tolerando desvios acima e abaixo) em vez da antiga meta de “abaixo, mas próxima a 2%”. Desta forma, o BCE pode justificar uma inflação de preços mais alta.


Como afirma o economista Frank Hollenbeck, não faz sentido um banco central ter metas de inflação. A desvalorização da moeda (feita através da expansão monetária), por menor que seja, gera distorções na alocação de recursos, gerando ciclos económicos e impede que haja deflação de preços, o que seria benéfico aos indivíduos.


 

André Marques