Reservas de ouro por País

Cotação Diária da Prata em €

Cotação Diária da Ouro em €

Contacte-nos

Rua de Santo André - Centro Comercial Parque da Cidade Loja L, 2º Piso 4560 - 221 Penafiel Telefone:+351 255 214 495 Email:info@elementum.pt
Telefone: +351 255 214 495 Email: info@elementum.pt

Banco Central dos EUA Fala em Mais Aumentos de Juros e Redução de seu Balanço

  • Home
  • /
  • Notícias
  • /
  • Banco Central dos EUA Fala em Mais Aumentos de Juros e Redução de seu Balanço

Banco Central dos EUA Fala em Mais Aumentos de Juros e Redução de seu Balanço


Em novembro, o banco central dos EUA (Federal Reserve - Fed) anunciou o tapering (uma redução gradual do ritmo de compras mensais de ativos por parte do banco central até o ponto de encerrar o programa de compras de ativos, o que significaria que o Fed iria parar de aumentar o seu balanço). Em dezembro, anunciou mais uma diminuição do ritmo de compras mensais de ativos.


E, na última reunião do comité de política monetária do Fed (o Federal Open Market Committee - FOMC), ocorrida  em 14-15 de dezembro e publicada em janeiro, os participantes do comité falaram não apenas em reduzir o ritmo de compras de ativos até parar, mas também elevar os juros antes do que projetado (como mostrei aqui, a maior parte dos membros do FOMC projetava três aumentos de 25 pontos-base (0.25%) ao longo de 2022) e realizar um aumento de juros mais rápido (havendo mais aumentos de juros em 2022 do que antes projetado). Além disto, os participantes falaram em reduzir o balanço do Fed (ou seja, vender os ativos que estão em sua posse, diminuindo seu balanço e a base monetária - M0) durante a elevação de juros ou depois. Este é o processo chamado Quantitative Tightening (QT), que é o inverso do Quantitative Easing (QE), expansão do balanço do Fed e do M0 através das compras de ativos.


Antes do anúncio do tapering em novembro, o Fed estava a comprar cerca de US$ 120 mil milhões em ativos por mês (US$ 80 mil milhões em títulos de dívida federais e US$ 40 mil milhões em títulos lastreados em hipotecas, as Mortgage Backed Securities – MBS). Ou seja, o balanço do Fed (que já ultrapassou os US$ 8.7 trilhões) vinha a sofrer aumentos de cerca de 120 mil milhões todos os meses (o que significa que o M0 aumentava a um ritmo semelhante):



Figura 1 – Balanço do Fed e M0 (2008-2021)


M0 (Linha Vermelha); Balanço do Fed (Linha Verde).

Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


E, como o Fed tem comprado muitos títulos de dívida federais recém-emitidos (para cobrir boa parte do défice orçamentário federal - figura 2), o dinheiro criado pelo Fed é gasto pelo governo e entra diretamente na economia, aumentando os agregados M1 e M2 (M1: moeda em circulação e depósitos à ordem; M2: M1 + depósitos a prazo), como é possível ver na figura 3. E, desta forma, a inflação de preços ao consumidor anual (o CPI – Consumer Price Index) disparou em 2021, atingindo 7% (maior taxa desde 1982) em dezembro (figura 4):


Figura 2 – Défice Orçamentário dos EUA (2012-2021)


Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


Figura 3 – M1 e M2 dos EUA (2008-2021)


M1 (Linha Preta); M2 (Linha Amarela).

Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


Figura 4 – CPI (1980-2021)


Fonte: Trading Economics – Elaboração Própria.


O Core CPI (que exclui preços de alimentos e energia), atingiu a taxa anual de 5.5% em dezembro (maior taxa desde 1991):


Figura 5 – Core CPI (1980-2021)


Fonte: Trading Economics – Elaboração Própria.


O Flexible Price Consumer Price Index, que mensura preços de itens do CPI que são muito mais flexíveis às condições económicas, possuindo uma variação maior, atingiu 17.9% em dezembro, maior nível de toda a série histórica deste índice, que começou em 1967:


Figura 6 - Flexible Price Consumer Price Index (1967-2021)


Flexible Price Consumer Price Index (Linha Laranja); Flexible Price Consumer Price Index Excluindo Alimentos e Energia (Linha Vermelha).

Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


Porém, pelo menos no mês de dezembro, o Fed não fez tapering. Entre 1º e 29 de dezembro o balanço do Fed sofreu um aumento de US$ 107 mil milhões. No momento da escrita deste artigo, o último dado disponível é do dia 5 de janeiro (os dados do balanço do Fed são atualizados todas as quartas-feiras, mas o valor de 12 de janeiro ainda não está disponível) e, pelo menos entre 29 de dezembro e 5 de janeiro, houve um aumento de “apenas” US$ 8 mil milhões. Como ainda temos três quartas-feiras até o fim de janeiro, teremos de ver se o Fed realmente irá realizar o tapering neste mês.


O Fed não tem muito espaço para aumentar os juros. O IORB (Interest Rate on Reserve Balances) que é a principal taxa que o Fed utiliza para influenciar o FFR (Federal Funds Rate, a taxa básica de juros dos EUA) está em 0.15%. Em julho de 2021, o IORB substituiu o IOER (Interest Rate on Excess Reserves, a taxa de juros que os bancos recebiam do Fed sobre as reservas em excesso que mantinham junto ao Fed e que era a principal taxa que o Fed utilizava, desde 2008, para influenciar o FFR) e o IORR (Interest Rate on Required Reserves, a taxa de juros sobre as reservas compulsórias que os bancos devem manter junto ao Fed). Para saber os detalhes sobre como o Fed passou a influenciar o FFR através do IOER a partir de 2008, leia aqui, nas páginas 29 a 35 e leia estes artigos (parte 1 e parte 2).


Veja na figura seguinte como o FFR fica quase no mesmo patamar que o IOER (e, agora, o IORB):


Figura 7 – FFR, IOER e IORB (2019-2022)


FFR (Linha Vermelha); IOER (Linha Verde); IORB (Linha Laranja).

Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


O patamar mais alto que o FFR atingiu no último ciclo de alta de juros (2015-2018) foi 2.4%. Em dezembro de 2018 houve uma queda significativa nos índices de bolsa americanos e em setembro de 2019 houve uma crise no mercado das operações compromissadas e o Fed passou a injetar liquidez neste mercado (na prática, fazendo Quantitative Easing, aumentando seu balanço). O Fed havia começado a diminuir seu balanço no final de 2017 (mas já em setembro de 2019 voltou a aumentá-lo) e começou a subir os juros em dezembro de 2015 (mas voltou a baixá-los no primeiro semestre de 2019).


Ou seja, o Fed já não conseguiu diminuir seu balanço e aumentar os juros anteriormente. Da mesma forma, novamente, o mais provável é que a economia não suportaria um aumento de juros. O Fed parou de subir os juros para evitar uma queda significativa dos mercados no final de 2018, quando a taxa de juros havia atingido apenas 2.4%. Naquela época, a dívida federal dos EUA estava em “apenas” US$ 22 trilhões; hoje, já está quase em US$ 30 trilhões. E as dívidas dos estados, dos municípios, de empresas e de consumidores, também estão maiores. Portanto, é possível que o patamar máximo que a taxa básica de juros pode atingir sem que haja complicações no mercado financeiro e na economia real já é menor que 2.4%. O Fed possui um espaço ainda menor para subir juros neste momento (e só diminui confirme as dívidas aumentam).


Além disto, os ganhos não realizados dos bancos comerciais estão a cair e podem tornar-se em perdas não realizadas. Um aumento/diminuição do valor dos ativos que o banco possui em seu balanço representa um ganho/perda não realizada (que ocorreria caso os ativos fossem vendidos). Uma das medidas que o Fed costuma tomar para converter as perdas não realizadas em ganhos não realizados é diminuir o FFR.


Veja na figura seguinte que quando o Fed aumentava o FFR (linha verde, eixo da direita) os bancos passavam a ter perdas não realizadas (linha roxa, eixo da esquerda, abaixo de 0), e, para impedir isto, o Fed passava a diminuir o FFR. Veja também que as recessões económicas (representadas pelas barras cinzas) ocorriam depois ocorrerem perdas não realizadas (o que não significa uma certeza de que haverá uma recessão após futuras perdas não realizadas, já que há outros fatores a serem considerados):


Figura 8 – Ganhos/Perdas Não Realizadas dos Bancos e FFR (1998-2022)


Ganhos/Perdas Não Realizadas dos Bancos (Linha Roxa, Eixo da Esquerda); FFR (Linha Verde, Eixo da Direita).

Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


Diante da expectativa de mais aumentos do FFR neste ano, as taxas de juro “reais”, representadas pelo Treasury Inflation-Protected Security -TIPS (pus reais entre aspas pois, como mencionei aqui, o TIPS não costuma oferecer uma boa proteção contra a inflação de preços), estão a aumentar (embora ainda estejam negativas. E um aumento das taxas de juro “reais” costuma ser acompanhado de uma queda no preço do ouro. E, desde este aumento, o preço do ouro não teve uma alteração significativa:


Figura 9 – TIPS e Preço do Ouro (2021-2022)


TIPS de 10 Anos (Linha Vermelha, Eixo da Esquerda); Preço da Onça de Ouro em Dólares Americanos (Linha Amarela, Eixo da Direita).

Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


Se o Fed realmente continuar com a retórica de não só acelerar o tapering, mas também diminuir o tamanho de seu balanço e aumentar os juros mais rapidamente neste ano, é possível que as taxas de juro “reais” continuem a aumentar e o preço do ouro caia. Porém, como mencionei nos parágrafos acima, o Fed não possui muito espaço para subir os juros sem haver grandes complicações no mercado financeiro e na economia real. Se o Fed seguir com esta reversão de política monetária e, uma vez que haja complicações, voltar a aumentar o seu balanço e a diminuir os juros, as taxas de juro “reais” possivelmente cairão e o preço do ouro pode subir novamente.

 

Nota: Este artigo é de caráter INFORMATIVO e não deve ser considerado como recomendação de compra ou venda do metal. 

 


André Marques