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Banco Central dos EUA deve dar Início ao 'Tapering' no Final de Novembro

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Banco Central dos EUA deve dar Início ao 'Tapering' no Final de Novembro



Depois de meses a falar a respeito de tapering (expressão referente a uma diminuição sistemática das compras de ativos por parte do banco central; neste caso, Fed, o banco central dos EUA), o Fed anunciou, no início deste mês, que irá dar início a este processo no fim do mês.


Desde o ano passado, o Fed tem comprado cerca de US$ 120 mil milhões em ativos por mês (US$ 80 mil milhões em títulos de dívida federais e US$ 40 mil milhões em títulos lastreados em hipotecas, as Mortgage Backed Securities – MBS). Ou seja, o balanço do Fed (que já ultrapassou os US$ 8.4 trilhões) tem sofrido aumentos de cerca de 120 mil milhões todos os meses (o que significa que a base monetária, o M0, tem aumentado a uma proporção semelhante). Veja o gráfico:


Figura 1 – Balanço do Fed e M0 (2008-2021)


M0 (Linha Vermelha); Balanço do Fed (Linha Verde).

Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


E, como o Fed tem comprado muitos títulos de dívida federais recém-emitidos, o dinheiro criado pelo Fed é gasto pelo governo e entra diretamente na economia, aumentando os agregados M1 e M2 (M1: moeda em circulação e depósitos à ordem; M2: M1 + depósitos a prazo), como é possível ver na figura 2. E desta forma, a inflação de preços ao consumidor dos EUA (o CPI – Consumer Price Index) disparou neste ano, atingindo 6.2% (taxa anual) em outubro (Figura 3):


Figura 2 – M1 e M2 dos EUA


M1 (Linha Preta); M2 (Linha Amarela).

Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


Figura 3 – CPI (2011-2021)


Fonte: Trading Economics – Elaboração Própria.


E o Core CPI (que exclui preços de alimentos e energia), atingiu a taxa anual de 4.6% em outubro:


Figura 4 – Core CPI (2011-2021)


Fonte: Trading Economics – Elaboração Própria.

  

Como foi explicado acima, o tapering é apenas uma diminuição das compras de ativos por parte do banco central. O Fed anunciou que irá diminuir as compras de títulos de dívida federais em US$ 10 mil milhões por mês e de MBS’s em US$ 5 mil milhões por mês. Ou seja, será uma redução de US$ 15 mil milhões por mês.


Entretanto, o FOMC (Federal Open Market Committee, o comité de política monetária do Fed), afirmou que “Está preparado para ajustar o ritmo de compras se houver mudanças nas perspetivas económicas”. Ou seja, há uma abertura para o Fed aumentar o ritmo de compras de ativos caso haja o mínimo de perturbação no mercado financeiro ou na economia real.


Os juros permanecerão próximos a 0% e o FOMC não deu nenhuma sinalização a respeito de quando devem aumentar os juros.


O Fed continua a manter a narrativa de inflação de preços “transitória”, dizendo que “o Comité tem como objetivo atingir uma inflação de preços moderadamente acima de 2% ‘por algum tempo’ para que a média da inflação de preços seja de 2% ao longo do tempo e as expectativas de inflação de preços de longo prazo permaneçam bem ancoradas em 2%.”


Visto que o CPI está acima de 5% há cinco meses, permanece a dúvida de exatamente o que o Fed quer dizer com “moderadamente acima de 2%” e “algum tempo”.


O próprio presidente do Fed, Jerome Powell (que foi renomeado recentemente), afirmou que o aumento dos juros nem sequer está em discussão. Ele disse que o Fed não está atrás da curva de inflação (ou seja, que a inflação não está fora de controlo) e que seria “inapropriado” aumentar os juros neste momento.


Bom, o motivo pelo qual seria “inapropriado” aumentar os juros neste momento é que a economia não suportaria um aumento de juros. No final de 2018, houve quedas significativas no mercado financeiro dos EUA, quando a taxa de juros havia atingido apenas 2.5%. Naquela época, a dívida federal dos EUA era de “apenas” US$ 22 trilhões. Hoje, a dívida está quase a atingir os US$ 29 trilhões. Além disto, as dívidas dos estados, dos municípios, de empresas e de consumidores, também estão maiores. Portanto, o patamar máximo que a taxa básica de juros pode atingir sem que haja complicações no mercado financeiro e na economia real já é menor que 2.5%. O Fed possui um espaço ainda menor para subir juros neste momento (e só diminui confirme as dívidas aumentam).


E se o Fed continuar a comprar títulos de dívida do governo recém-emitidos, o M1 e o M2 devem seguir a aumentar a um ritmo maior do que na última década, sendo um fator de aumento da inflação de preços.

 


André Marques