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A Dívida Federal dos EUA atinge US$ 28.49 trilhões

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A Dívida Federal dos EUA atinge US$ 28.49 trilhões



Em junho, o governo federal dos EUA teve outro grande défice orçamentário: US$ 174.16 mil milhões/bilhões. Faltando apenas três meses para o término do ano fiscal de 2021 (1º de outubro de 2020 a 30 de setembro de 2021), o défice orçamentário deste período já atingiu US$ 2.24 mil bilhões/trilhões, de acordo com o relatório mensal do Tesouro americano.


O governo federal gastou US$ 623 mil milhões/bilhões em junho, um aumento de 4.3% em relação a maio. Os gastos totais para o ano fiscal de 2021 já atingiram o valor de US$ 5.29 mil bilhões/trilhões. Os gastos subiram 6% no ano fiscal de 2021, comparado ao mesmo período do ano anterior.


A dívida do governo federal já atingiu os US$ 28.49 mil bilhões/trilhões. Ou seja, de março de 2020 até a presente data, a dívida federal aumentou mais de US$4 trilhões. Para efeitos comparativos, entre janeiro de 2017 e janeiro de 2020 a dívida aumentou cerca de US$ 4 mil bilhões/trilhões. Portanto, em apenas 1 ano e meio (janeiro 2020-junho de 2021), a dívida aumentou o mesmo que em 4 anos (2017-2020).


Gráfico 1 - Dívida Federal Americana (2017-2021)


Fonte: St. Louis Fed - Elaboração Própria.


O Federal Reserve (Fed), banco central americano, tem feito um Quantitative Easing - QE (aquisição de ativos por parte do Fed através da expansão da base monetária – M0) de US$ 120 mil milhões/bilhões (80 em títulos de dívida federal e 40 em títulos hipotecários) desde o ano passado. E, como explicado aqui, o Fed tem monetizado os títulos do governo federal. O governo tem gastado o dinheiro recém emitido pelo Fed, que compra a dívida recém-emitida pelo Tesouro. Desta forma, boa parte da nova oferta monetária entra diretamente na economia (não permanecendo apenas nas reservas bancárias), pressionando a inflação de preços para cima. Se o governo federal continuar com este nível de gastos (ou até aumentá-lo) e o Fed seguir comprando boa parte dos títulos de dívida conforme o governo se endivida mais, a pressão na inflação de preços pode continuar.


Ao manter taxas de juro (Federal Funds Rate – FFR) cada vez mais baixas (artificialmente) por décadas (gráfico 2), e ao realizar QE a partir de 2008 (gráfico 3), o Fed não só gera ciclos económicos e crises financeiras cada vez mais intensas, mas, também, enfraquece a economia ao longo do tempo. Indivíduos, empresas e o próprio governo se endividam cada vez mais e ficam cada vez mais dependentes de juros artificialmente baixos e de QE. Isto ocorre de tal maneira que o nível máximo de juros que a economia suporta sem entrar em recessão é cada vez menor. A bolha da NASDAQ estourou em 2000, quando o FFR atingiu 6.5%. A crise de 2007/2008 começou a dar sinais quando o FFR atingiu 5.25% em 2006. Em 2008, o Fed baixou o FFR para quase 0% ao realizar o 1º QE. O 2º QE foi em 2010-2011; o 3º, em 2012-2014. E a queda das bolsas americanas em dezembro de 2018 ocorreu quando o FFR atingiu apenas 2.3%. O Fed, portanto, baixou o FFR três vezes em 2019. O Fed também havia feito Quantitative Tightening (QT) – quando o banco central vende os ativos em seu balanço, o inverso de QE – de apenas US$ 800 mil milhões/bilhões (entre novembro de 2017 e setembro de 2019), muito abaixo dos cerca de US$ 4.5 mil bilhões/trilhões adicionados ao balanço durante os 3 primeiros QE’s. E, a partir de setembro de 2019, quando houve a crise do mercado das operações compromissadas (ver aqui e aqui), o Fed voltou a realizar QE e seu balanço atingiu US$ 4.2 mil bilhões/trilhões em março de 2020. Ainda antes dos Lockdows, portanto, a economia já sinalizava muitas fraquezas.

 

 Gráfico 2 - Federal Funds Rate/FFR (1990-2021)

 

 Fonte: St. Louis Fed - Elaboração Própria.

 

 Gráfico 3 - Balanço do Fed e Base Monetária/M0 (2008-2021) 

 

Balanço do Fed (Linha Azul); Base Monetária/M0 (Linha vermelha). 

Fonte: St. Louis Fed - Elaboração Própria.


O Fed não pode subir o FFR sem causar outra recessão e continua a comprar boa parte dos títulos recém-emitidos do governo federal, que segue com grandes défices orçamentários (um QE simultâneo a um grande défice fiscal, que tende a aumentar imediata e significativamente o M1 e o M2, e, por consequência, produzir uma pressão na inflação de preços). Se o Fed não parar de fazer QE (sobretudo monetizando boa parte da dívida federal que vai sendo emitida), a inflação de preços pode seguir sofrendo pressões. Se o Fed parar de fazer QE (ou até vier a fazer QT) e subir o FFR para conter a inflação de preços, os mercados e o próprio governo (que teria de pagar juros ainda maiores sobre sua dívida, além de ter suas receitas diminuídas) seriam gravemente prejudicados. Independentemente do que o Fed venha a fazer, não há saída sem consequências graves.


André Marques