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Inflação de Preços nos EUA vem Acima do Esperado Novamente

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Inflação de Preços nos EUA vem Acima do Esperado Novamente


Pelo sexto mês consecutivo, o Consumer Price Index (CPI), o índice de inflação de preços ao consumidor dos EUA, foi, novamente, muita mais alto do que se esperava.


Em junho, o CPI aumentou 0.9%. Foi o maior aumento mensal deste ano, acima das expectativas de 0.5%.  O crescimento anual (junho de 2020-junho de 2021) foi de 5.5%. A expectativa era de 5%. Este foi o maior aumento do CPI desde agosto de 2008.


O Core CPI, que mensura os preços de alimentos e de energia, sofreu um aumento anual de 4.5% (a expectativa era de 3.8%). Este foi o maior aumento desde setembro de 1991. Em termos mensais, o Core CPI sofreu aumento de 0.9%, contra as estimativas de 0.5%.


Durante este ano, o CPI subiu mais do que o esperado em todos os meses:


Janeiro: 0.3%;

Fevereiro: 0.4%;

Março: 0.6%;

Abril: 0.8%;

Maio: 0.6%.


Se adicionarmos os aumentos do CPI durante a primeira metade do ano, a inflação de preços chegou a 3.6%. Se duplicarmos esta tendência durante a segunda metade do ano, o CPI de 2021 atingirá 7.2%.


Isto já afeta o trabalhador médio americano. De acordo com o Labor Department, este grande aumento dos preços levou a uma diminuição dos salários reais (ou seja, descontando a inflação de preços). O rendimento médio por hora (em termos reais) caiu 0.5% em junho, já que o aumento do CPI de 0.9% mais que compensou o aumento do rendimento médio por hora de 0.3%.


Existe uma expectativa no mercado de que o Fed (banco central americano) aumente a taxa de juros para combater a inflação de preços. Porém, o Fed não o pode fazer sem causar uma recessão, pois as empresas, instituições financeiras e os indivíduos estão muito dependentes de juros artificialmente baixos. O próprio governo federal depende deste arranjo para continuar aumentando seus gastos. Se o histórico do Fed serve de algum guia, o mais provável é que não aumente a taxa de juros a um patamar acima do que a economia como um todo consegue suportar. E este patamar diminui conforme o nível de endividamento presente na economia aumenta, que é o que tem ocorrido nas últimas décadas. Portanto, é possível que o Fed continue a inflacionar o dólar americano (USD), o que tende a pressionar a inflação de preços.


Como mencionei aqui, o aumento do M0/base monetária (que ocorre quando o Fed aumenta o seu balanço), por si só, não é suficiente para provocar um aumento significativo (imediato) da inflação de preços ao consumidor. Os agregados monetários que afetam (mais diretamente) o aumento do CPI são o M1 e o M2. Eis os fatores incluídos nos agregados monetários:


M0: moeda em circulação e reservas bancárias depositadas no banco central;

M1: moeda em circulação e depósitos à ordem (em contas correntes);

M2: M1 + depósitos a prazo.


Há também o M3 (M2 + depósitos a prazo de instituições bancárias). Porém, o governo americano parou de divulgá-lo em 2006.


Portanto, o dinheiro que efetivamente está em circulação na economia (sendo utilizado pelos indivíduos) está contido no M1 e no M2. E foram justamente estes agregados que subiram mais acentuadamente (em termos relativos, visto que o aumento recente do M0 também foi muito maior que os anteriores), em um período de pouco mais de um ano (desde março de 2020).


Gráfico 1 - Base Monetária/M0, M1 e M2 (2008-2021)


 Base Monetária/M0 (Linha Azul, Eixo da Esquerda); M1 (Linha Vermelha, Eixo da Direita); M2 (Linha Verde, Eixo da Direita).

Fonte: St. Louis Fed - Elaboração Própria.

 

Observe que o M1 subiu de cerca de US$ 4 trilhões em março de 2020 para quase US$ 20 trilhões em maio de 2021. Já o M2, subiu de cerca de US$ 16 trilhões em março de 2020 para mais de US$ 20 trilhões em maio de 2021. Veja também que, em outros períodos de elevado aumento do M0 (2008; 2010-2011; 2012-2014), o M1 e o M2 não aumentaram significativamente. Apenas com o aumento mais recente do M0 (a partir de março de 2021) é que estes agregados aumentaram imediata e acentuadamente.


Isto se deve, sobretudo, à monetização dos títulos de dívida federais pelo Fed. Ou seja, o Fed aumenta o M0 e compra a dívida federal que o Tesouro emite. O governo, por sua vez, gasta este dinheiro recém-impresso (aumentando o M1 e o M2).  O Fed monetizou 100% da dívida federal emitida em março e abril de 2020, no valor de US$ 1.56 trilhões. E monetizou mais da metade da dívida emitida de março de 2020 a maio de 2021. Desde março de 2020, o governo federal adicionou US$ 4.7 trilhões à sua dívida. Entre março de 2020 e maio de 2021, o Fed adicionou US$ 2.44 trilhões em títulos de dívida federal em seu balanço.


Como bem explicado por Lyn Alden, o Quantitative Easing (compra de ativos pelo banco central através do aumento da base monetária), por si só, não gera inflação de preços generalizada; é apenas uma recapitalização dos bancos. A autora afirma que, se o QE for simultâneo, por exemplo, a um grande défice fiscal (com o Fed adquirindo os novos títulos emitidos pelo Tesouro), gera mais depósitos bancários (aumentando significativamente o M1 e o M2), podendo contribuir para mais inflação de preços.


André Marques