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Fed Reconhece que a Inflação de Preços não é tão Transitória Quanto Imaginava, mas não Assume a Culpa

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Fed Reconhece que a Inflação de Preços não é tão Transitória Quanto Imaginava, mas não Assume a Culpa



A inflação de preços nos EUA está em 5.3% (o maior valor dos últimos 13 anos); na zona euro, 3.4%; no Brasil, 10.25%. Após meses afirmando que esta inflação de preços maior é provisória, o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, reconheceu, em conferência do BIS que a inflação de preços é mais resiliente.


Quando os bancos centrais aumentaram o ritmo de expansão monetária (incluindo o agregado monetário M2, que engloba o dinheiro que efetivamente está em circulação) em março de 2020, o Fed afirmava que haveria deflação de preços. Depois de, afirmavam que não haveria inflação (e os preços não se alterariam). A seguir, quando a inflação de preços passou a subir, afirmavam que esta subida seria transitória e logo cederia. Depois, afirmavam que a inflação de preços era mais alta do que se imaginava, mas iria ceder. E agora, já admitem que a inflação não é tão transitória quanto imaginavam, mas o motivo, nas palavras de Powell, são as faltas de insumos (como microprocessadores), congestionamento industrial (como problemas nos portos – aqui e aqui) e aumento dos preços de commodities (como o carvão e o cobre).


Como afirma Daniel Lacalle, os governos e os bancos centrais nunca admitem a culpa pela inflação de preços. Sempre inventam culpados, como as empresas e/ou os consumidores. E, neste caso, o alvo da culpa foram os problemas citados no parágrafo anterior. Ora, é claro que uma redução da atividade económica gera problemas como estes. Mas os governos e os bancos centrais não são isentos de culpa. Afinal, se uma redução da atividade económica numa situação em que não o ritmo do aumento da oferta monetária não é alterado já aumenta os preços (devido a uma oferta de produtos e serviços menor), uma situação em que a atividade económica é reduzida e o ritmo do aumento da oferta monetária é maior é ainda mais propensa a gerar aumentos significativos de preços.


A dívida federal dos EUA já ultrapassou os US$ 28.5 trilhões e representa 128.4% do PIB:


Figura 1 – Dívida Federal dos EUA (2011-2021)


Dívida Federal Total (Linha Vermelha, Eixo da Direita); Dívida Federal Total em % do PIB (Linha Laranja, Eixo da Esquerda).

Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


O défice orçamentário continua num patamar mais elevado do que antes de 2020:


Figura 2 – Défice Orçamentário dos EUA (2011-2021)


Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


E, devido a um maior défice orçamentário, o Fed acaba por adquirir muitos títulos de dívida pública recém-emitidas. O governo, portanto, gasta o dinheiro levantado por estes títulos e o M2 aumenta a um ritmo maior do que antes de 2020:


Figura 3 – M2 dos EUA (2011-2021)


Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


E o Balanço do Fed continua a aumentar, ultrapassando os US$ 8.5 trilhões:


Figura 4 – Balanço do Fed (2008-2021)


Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


A Zona Euro, por sua vez, possui uma dívida de aproximadamente € 11.606 trilhões, representando 98.3% do PIB. E a maioria dos países da zona euro aumentaram significativamente a dívida em relação ao PIB entre o 2º trimestre de 2020 e o 2º trimestre de 2021:


Figura 5 – Alterações do rácio Dívida/PIB em % no 2º Trimestre de 2021 em Comparação ao 2º Trimestre de 2020


UE (Barra em Azul Escuro); Zona Euro (Barra em Azul Claro); Estados Membros (Barras Rosas).

Fonte: Eurostat.


Os défices orçamentários dos países da zona euro continuam em um patamar mais levado do que antes de 2020:


Figura 6 – Défice Orçamentário dos Governos da UE e da Zona Euro (2006-2021)


UE (Linha em Azul Escuro); Zona Euro (Linha em Azul Claro).

Fonte: Eurostat.


E, assim, como o Fed, devido a um maior défice orçamentário, o BCE acaba por adquirir muitos títulos de dívida dos governos da zona euro recém-emitidos, aumentando a quantidade de dinheiro que realmente circula na economia (M2) a um ritmo maior do que antes de 2020:


Figura 7 – M2 da Zona Euro, em Milhões de Euros (2012-2021)


Fonte: Trading Economics – Elaboração Própria.


E o balanço do BCE também continua a aumentar, quase a atingir € 8.4 trilhões:


Figura 8 – Balanço do BCE (2008-2021)


Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


A zona euro (dívida de 98.3% do PIB), portanto, está fiscalmente mais contida do que os EUA (dívida de 128.4% do PIB). E o aumento do M2 da zona euro foi relativamente menor do que o aumento do M2 dos EUA. Desta forma, a inflação de preços da zona euro (3.4%) está menor do que a dos EUA (5.3%). Se os governos continuarem a aumentar seu endividamento no ritmo atual (ou até a um ritmo maior), será mais difícil conter a inflação de preços, mesmo que todos os problemas industriais citados no início do artigo sejam mitigados. A inflação monetária (sobretudo o M2) é o principal motivo pelo qual os preços sobem. Não gosto de citar o Milton Friedman, pois ele era monetarista (Escola de Chicago), não da Escola Austríaca, mas sua afirmação de que a inflação é sempre um fenómeno monetário deve ser enfatizada.

 


André Marques