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Daniel Lacalle | Os Investidores não veem a Inflação de Preços como "Transitória"

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Daniel Lacalle | Os Investidores não veem a Inflação de Preços como "Transitória"



O Federal Reserve e o Banco Central Europeu afirmam que o pico inflacionário recente é “transitório”. O problema é que os investidores não acreditam nisto.


A inflação é sempre um fenómeno monetário, e, desta vez, não é diferente. O que os bancos centrais chamam de efeitos transitórios e o impacto nas cadeias de produção não são os verdadeiros causadores das pressões inflacionárias. Não há como negar certos impactos na cadeia de produção, mas o tamanho do aumento dos preços de commodities agrícolas e industriais aos maiores níveis nos últimos cinco anos, além do abrupto aumento dos preços de bens não replicáveis e de serviços aos níveis mais altos da última década, são culpa da política monetária. A injeção de trilhões em liquidez faz com que mais fundos persigam menos bens e o aumento da inflação de preços sentida pelos cidadãos é muito mais alta que a registada pelo CPI.


Veja os preços dos alimentos. O United Nations Food Price Index aumentou 30% nos últimos 5 anos, e 10% entre janeiro e abril de 2021. O aumento dos preços dos alimentos já causou protestos ao redor do globo em 2018 e continua a atingir valores mais altos. A correlação do aumento de preços da maioria dos bens agrícolas também mostra que é um efeito monetário.


O mesmo pode ser dito a respeito do Bloomberg Commodity Index, que também atingiu os maiores valores dos últimos 5 anos, e aumentou 10% entre janeiro e abril de 2021.


Sim, houve algumas disrupções na oferta de algumas commodities. Mas não é algo difundido, muito menos a norma. Se algo pode ser dito é que o aumento dos preços das commodities industriais e agrícolas tem ocorrido apesar do persistente excesso de capacidade [quando as empresas têm capacidade de produzir mais do que o mercado pode demandar] que muitas já possuíam antes da pandemia. Devemos lembrar, também, que uma das consequências não intencionadas de uma massiva expansão monetária é a perpetuação do excesso de capacidade, que é refinanciada e mantida, mesmo em tempos de crise. Portanto, podemos argumentar que o aumento dos custos dos bens são está ligado, predominantemente, à escassez de oferta, pois há um ambiente de excesso de capacidade. Isto torna ainda mais evidente o facto de a inflação de preços ser um fenómeno monetário.   


Podemos discutir sobre as diversas maneiras através das quais dos governos podem disfarçar o aumento dos custos de bens e serviços no CPI (Consumer Price Index), usando médias questionáveis, excluindo impostos, e subestimando o peso de certos bens na cesta. Inclusive, a própria ideia do CPI, criada por Irving Fisher, foi disfarçar o aumento abrupto dos preços de certos bens fazendo a média com a mudança de preços de outros. Os consumidores estão furiosos ao ver o preço do pão aumentar, digamos, 20%? Que tal incluí-lo na cesta de bens? A realidade é que esta correlação dos movimentos dos preços e a agressividade dos mesmos mostram que os bancos centrais dos países mais desenvolvidos simplesmente não irão mudar o curso da política monetária.


Sabemos que os bancos centrais não mudam o curso da política monetária, mesmo que a inflação de preços seja alta e persistente, pois já vimos isto ocorrer em diversos países, e em quase todos os países da Europa do Sul antes do euro.


Governos sempre justificam a impressão de moeda com a desculpa de que não há inflação de preços. Quando a inflação de preços aumenta, eles dizem que e transitório. E, quando aumenta persistentemente, culpam os empresários e se apresentam como a solução através de “controlos de preços”.


Os bancos centrais são incapazes de normalizar a política monetária, pois eles são reféns de governos que simplesmente se recusam a reduzir os défices orçamentários, quando não podem tolerar nem mesmo um pequeno aumento dos rendimentos dos títulos de dívida.


Os investidores sabem disto e estão à procura de maneiras de proteger as poupanças de seus clientes da inflação e de um provável problema: estagflação [inflação de preços acompanhada de estagnação económica ou até mesmo de recessão]. Um cada vez maior número de fundos de investimentos vê o provável risco de estagnação após a série de estímulos monetários acompanhados de aumento de preços. O CPI pode não refletir o aumento de preços da saúde, educação, alimentos e arrendamentos/aluguéis, mas os cidadãos o sentem.


Há uma razão pela qual em 2018 e 2019 vimos protestos contra o intolerável aumento do custo de vida em toda a Europa e nos mercados emergentes ao mesmo tempo em que os bancos centrais alertavam para o risco de deflação [o que não é um risco, pois a deflação é benéfica para os consumidores e para as empresas, com preços mais baixos e margens de lucro maiores, respetivamente.] O custo de vida real tem subido mais rápido que os cálculos oficiais sugerem. Era um problema em 2018 e é um problema ainda maior após 2020.



Artigo originalmente publicado no site do Daniel Lacalle.


Tradução e edição de André Marques.


Autor: Daniel Lacalle é um economista e gestor de fundos espanhol, autor dos bestsellers Freedom or Equality (2020), Escape from the Central Bank Trap (2017), e Life in the Financial Markets (2014). É professor de economia na IE Business School em Madrid.


NotaAs opiniões expressas neste artigo não necessariamente vão totalmente de acordo com as da Elementum Portugal e do tradutor/editor deste artigo.