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Daniel Lacalle | Como a Revolução do Xisto Salvou a Europa de um Grande Apagão

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Daniel Lacalle | Como a Revolução do Xisto Salvou a Europa de um Grande Apagão



Em outubro, os governos da Áustria e da Holanda alertaram para o risco de um “grande apagão”. O aumento dos preços do gás natural, a falta de segurança no fornecimento e uma perspetiva desafiadora de entregas por gasodutos da Rússia deixaram os governos extremamente nervosos com as chances de fornecer energia barata e confiável para as residências no inverno.


No entanto, um aliado inesperado evitou uma crise energética na Europa e, ironicamente, é um aliado que foi banido na maioria das nações europeias: o gás de xisto.


Cerca de metade dos volumes recordes de gás natural liquefeito dos EUA enviados em dezembro de 2021 foram para a Europa, acima dos 37% no início de 2021, de acordo com a U.S. Energy Information Administration.


Enquanto a maioria das nações europeias proibiu a exploração e o desenvolvimento de recursos domésticos de gás natural há muitos anos, os Estados Unidos têm suprimentos abundantes e competitivos graças à revolução do petróleo e do gás de xisto, que tornou o país quase independente de energia. A produção doméstica de gás natural superou a demanda dos EUA em cerca de 10%, segundo a Reuters.


Há uma lição a ser aprendida pelos EUA. Muitas políticas energéticas europeias foram ideologicamente direcionadas. E os subsídios energéticos maciços e a intervenção política não fortaleceram a competitividade da economia, garantiram o fornecimento de energia ou mesmo reduziram significativamente as emissões de carbono.


O ministro da Economia alemão, Robert Habeck, mencionou recentemente que “provavelmente perderemos nossas metas (de emissões de CO2) para 2021, também para 2022, até para 2023 será difícil”, segundo o Zeit. A Alemanha não irá alcançar suas metas climáticas para 2021, pois o uso de carvão aumentou drasticamente, enquanto o uso de energias renováveis permaneceu quase estagnado. Depois de milhares de milhões em subsídios renováveis, as contas domésticas são 65% mais altas do que em 2006, de acordo com o BDEW e o Ministério da Energia.


Qual foi o erro da política europeia? Eliminar ou banir a energia barata e confiável (nuclear e desenvolvimento de gás natural doméstico) e compensá-la com fontes de energia intermitentes e voláteis (eólica e solar) muito cedo em uma transição tecnológica. Isto, quando a demanda aumenta ou a produção de energia solar e eólica diminui, coloca em risco a segurança do fornecimento e a competitividade porque os preços sobem para níveis recordes.


Os preços da energia na Europa também atingiram recordes porque o custo das emissões de CO2 (um imposto oculto) subiu de 20 euros por tonelada métrica para mais de 80. Devido a este imposto oculto, os governos europeus estão a arrecadar milhares de milhões de euros em receitas fiscais, mas o fardo recai sobre as empresas e as famílias.


Os preços da eletricidade residencial na União Europeia entre 2010 e 2014 foram em média de US$ 240/MWh, enquanto os EUA tiveram uma média de quase US$ 120/MWh, ou menos da metade dos preços da UE. Os preços da gasolina e do gasóleo também foram duas vezes mais caros na média da União Europeia em comparação aos Estados Unidos. Esta tendência não melhorou nem um pouco. Em 2021, os preços grossistas da eletricidade na Europa atingiram um recorde.


A Europa deve compreender que a tecnologia e a concorrência conseguem mais em termos de redução das emissões de carbono e ao mesmo tempo melhorar a competitividade do que a implementação de mandatos políticos rígidos e dispendiosos.


O setor de energia é fundamental para a descarbonização, mas não a alcançará por meio de uma intervenção constante. Para descarbonizar, a melhor ferramenta tecnológica é uma combinação de gás natural, energia nuclear, hídrica e renovável. Mas as energias renováveis são intermitentes, enquanto o consumo é contínuo. Enquanto a tecnologia se desenvolve, a Europa deve garantir a segurança do aprovisionamento e a energia a preços acessíveis, aproveitando ao máximo todas as opções possíveis, incentivando a energia verde e reduzindo os custos para os consumidores.


Agora que as tecnologias renováveis são competitivas, a solução não pode vir de planeamento central, restrições de mercados, subsídios e regulações. Deve vir, como nos EUA, de créditos tributários que são gradualmente eliminados e da concorrência em um mercado aberto, com contratos bilaterais transparentes.


A Europa pode desenvolver os seus recursos internos e acelerar o investimento em energia limpa com uma rápida inovação tecnológica. A palavra para alcançar isto é competição. Foi um erro proibir o desenvolvimento de recursos de gás natural, mas um erro ainda maior culpar os produtores globais de gás por não venderem barato um produto que alguns governos rejeitaram. As nações europeias não podem dizer aos produtores globais de petróleo e gás que eles não usarão seus recursos em dez anos, mas, enquanto isto, os produtores devem investir milhares de milhões em desenvolvimento e exportar energia barata e abundante.


A Europa pode promover a competitividade, reduzir as contas e avançar em energia limpa. Tudo o que deve fazer é permitir que as indústrias encontrem soluções realistas e duráveis e deixar os mercados funcionarem.

 


Artigo originalmente publicado no site do Daniel Lacalle.


Tradução e edição de André Marques.


Autor: Daniel Lacalle é um economista e gestor de fundos espanhol, autor dos bestsellers Freedom or Equality (2020), Escape from the Central Bank Trap (2017), e Life in the Financial Markets (2014). É professor de economia na IE Business School em Madrid.


Nota: As opiniões expressas neste artigo não necessariamente vão totalmente de acordo com as da Elementum Portugal e do tradutor/editor deste artigo.