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Daniel Lacalle | A OPEP não é a Única Solução para os Altos Preços do Petróleo

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Daniel Lacalle | A OPEP não é a Única Solução para os Altos Preços do Petróleo



Os altos preços do petróleo são um sintoma de desequilíbrios económicos e monetários, não apenas uma consequência das decisões da OPEP. Ao longo da história, vimos como os cortes da OPEP pouco fizeram para elevar os preços quando a diversificação e a tecnologia aumentaram a eficiência.


Da mesma forma, os aumentos da produção da OPEP não significam necessariamente preços mais baixos, muito menos preços razoáveis. A OPEP ajuda, mas não resolve as questões de preços, mesmo que gostaria de o fazer.


O problema no mercado de petróleo foi criado por anos de maciça má alocação de capital e sub-investimento em energia, criado por políticas monetárias extremamente frouxas dirigidas por governos que penalizaram os gastos de capital com combustíveis fósseis por razões ideológicas.


O ativismo mal orientado e o incentivo político no meio de injeções monetárias maciças criaram gargalos enormes e sub-investimento que prejudicam a segurança do abastecimento e uma transição energética competitiva tecnicamente viável.


Injeções maciças de liquidez causaram um duplo efeito colateral. Um crescente mal investimento em atividades não produtivas, e, agora, um grande influxo de capital nas chamadas áreas de “valor”: mais dinheiro direcionado para ativos relativamente escassos. A energia passou de um baixo peso consensual para um grande excesso de peso, exacerbando o aumento de preços. O barril marginal de petróleo aumentou quase 60% em um ano, apesar do aumento da oferta em conjunto com a demanda.


De acordo com o JP Morgan, o dispêndio de capital necessário em energia para atender à demanda é de US$ 600 mil milhões para o período de 2021-2030. Este “CAPEX cumulativo ausente” [Nota do editor: CAPEX se refere à expressão CAPital Expenditure, que é definida como despesas ou investimentos em capital. Veja mais detalhes aqui] é parte do problema.


O outro problema importante é a demanda artificial criada por planos de estímulo. Adicionar enormes planos de infraestrutura com uso intensivo de energia a uma economia que está a reabrir, onde alguns gargalos de fornecimento foram agravados, gera o mesmo efeito sobre os preços da energia que uma enorme bolha especulativa.


A intervenção política também criou um impacto importante no preço do barril marginal de petróleo. Ameaçar banir o desenvolvimento doméstico de recursos energéticos nos Estados Unidos ou anunciar a proibição de investimentos em combustíveis fósseis em algumas cúpulas europeias aumenta o valor líquido atual do barril marginal de longo prazo, e não diminui. Por quê? Porque estas ameaças não são feitas com análises técnicas sólidas e estimativas robustas de oferta e demanda, mas com agendas políticas. Qualquer engenheiro sério que entende a importância da segurança e do fornecimento e do desenvolvimento de tecnologia entende que uma transição energética bem-sucedida para uma economia mais verde requer metas e políticas sólidas e realistas que evitem uma crise energética. Estes fatores foram esquecidos.


A OPEP está a se beneficiar dos altos preços do petróleo, mas não tanto quanto se poderia imaginar. A cesta de referência da OPEP (ORB) tem US$ 68.33 por barril no acumulado do ano, um grande aumento de 68.4% em relação ao mesmo período do ano passado, mas ainda muito abaixo dos níveis elevados anteriores à crise financeira de 2008. Além disto, a oferta da OPEP e não-OPEP aumentou junto com a demanda. A produção global de líquidos em outubro teve um aumento de 1.74 mb/d [Nota do editor: mb/d=milhões de barris por dia] para a média de 97.56 mb/d, em comparação ao mês anterior. A previsão de crescimento da produção de líquidos dos EUA para 2021 foi revisada para cima em 19 tb/d [Nota do editor: tb/d=milhares de barris por dia] e espera-se que seja de 17.57 mb/d em 2021. Imagine onde estariam os preços do petróleo e do gás se as ameaças políticas de proibir ou penalizar severamente a produção doméstica tivessem foi aplicadas.


Não esqueçamos que a OPEP também revisou para baixo as estimativas da demanda global de petróleo para 96.4 md/d em 2021. A oferta continua ampla e o governo dos Estados Unidos também deve ver que a Rússia e os EUA devem ser os principais impulsionadores do crescimento da oferta no próximo ano. Sem a Rússia e os EUA, os preços de produção disparariam, independentemente do que os parceiros da OPEP ou da Arábia Saudita façam.


Estamos a sofrer a combinação de políticas energéticas equivocadas, criação excessiva de dinheiro e planos de construção gigantescos inoportunos. A OPEP e sua parceira Rússia podem aliviar isto, mas não mudar dramaticamente. Além disto, conforme o tempo passa e o sub-investimento torna-se mais grave, a capacidade da OPEP de conter os preços enfraquece. Não podemos esquecer que a OPEP e a Rússia respondem por menos da metade do abastecimento mundial total. Eles são importantes, mas colocar mais dois milhões de barris por dia no mercado não resolve o problema dos preços de longo prazo.


Os preços da energia cairão com mais tecnologia, investimento e diversificação, e não com ameaças políticas vazias.

 


Artigo originalmente publicado no site do Daniel Lacalle.


Tradução e edição de André Marques.


Autor: Daniel Lacalle é um economista e gestor de fundos espanhol, autor dos bestsellers Freedom or Equality (2020), Escape from the Central Bank Trap (2017), e Life in the Financial Markets (2014). É professor de economia na IE Business School em Madrid.


Nota: As opiniões expressas neste artigo não necessariamente vão totalmente de acordo com as da Elementum Portugal e do tradutor/editor deste artigo.