Reservas de ouro por País

Cotação Diária da Prata em €

Cotação Diária da Ouro em €

Contacte-nos

Rua de Santo André - Centro Comercial Parque da Cidade Loja L, 2º Piso 4560 - 221 Penafiel Telefone:+351 255 214 495 Email:info@elementum.pt
Telefone: +351 255 214 495 Email: info@elementum.pt

BCE Pondera Aumentar as Compras de Títulos de Dívida da UE

  • Home
  • /
  • Notícias
  • /
  • BCE Pondera Aumentar as Compras de Títulos de Dívida da UE

BCE Pondera Aumentar as Compras de Títulos de Dívida da UE



Após ponderar um novo programa de Quantitative Easing (QE), o BCE começa a estudar mais um programa para a lista. Neste caso, para a aquisição de títulos de dívida da UE.


Quatro membros do conselho de governadores do BCE relataram ao Financial Times que seriam favoráveis a um aumento da parcela de compras de títulos de dívida pública relativa às emissões de organismos internacionais, como a UE (o limite atual é de 10%). O plano precisaria de votos favoráveis da maioria dos 25 membros do conselho do BCE.


Segundo a matéria, é expectável que esta ideia venha a ser discutida em duas reuniões do conselho de governadores a partir de novembro para decidir o nível dos programas de aquisição de ativos no próximo ano.


A Comissão Europeia pretende aumentar as emissões de títulos no próximo ano através do NextGenerationEU, o veículo acordado no verão de 2020 para financiar a resposta da UE à pandemia.


A UE pretende emitir 80 mil milhões/bilhões de euros em títulos para o financiamento deste veículo neste ano e quase o dobro deste valor no próximo ano.


Os gastos relacionados ao NextGenerationEU não só não devem resolver as questões da pandemia, como (assim como qualquer gasto governamental) prejudicarão ainda mais a economia dos países da UE. Sobretudo porque a maior parte destes gastos é financiada através da emissão de títulos de dívida (o que, por si só, é mais caro e danoso a economia pois, somado ao principal, há o pagamento de juros, que o governo mantém via impostos ou mais endividamento) a serem adquiridos pelo BCE (que, para tal, aumenta a base monetária e desvaloriza o euro).


O aumento de compra de títulos da UE por parte do BCE iria enfraquecer ainda mais a economia europeia, cujo crescimento seria ainda mais prejudicado. Em conjunto com o “Novo QE”, aumentaria as distorções na alocação recursos (aumentando o risco e a intensidade de uma próxima recessão) e o endividamento dos governos e das empresas (mais dinheiro sendo alocado para pagamento de juros e menos para aumento de produtividade - o que, na melhor das hipóteses, previne a diminuição dos preços; na pior, faz com que os preços subam). Além disto, o QE gera uma maior desigualdade económica, pois os ativos financeiros (que são sobrevalorizados) são detidos em maior volume por indivíduos de maior renda. Os pobres e a classe média baixa sofrem com a inflação de preços (ao consumidor e de imóveis residenciais) e a dificuldade de poupar (salários reais mais baixos devido à inflação de preços, à má alocação de recursos e ao menor investimento em produtividade; ausência de investimentos menos arriscados e de boa rentabilidade devido a taxas de juro negativas).


O balanço do BCE já ultrapassou os € 8.3 trilhões. E o O Deposit Facility Rate (taxa que os bancos podem utilizar para fazer depósitos overnight no eurosistema) está em -0.5% desde setembro de 2019. E está em patamar negativo desde junho de 2014.


Figura 1 - Deposit Facility Rate e Balanço do BCE (2009-2021)


Deposit Facility Rate (Linha Verde, Eixo da Esquerda); Balanço do BCE (Linha Laranja, Eixo da Direita).

Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


Como é possível ver na figura acima, desde 2015 o BCE nunca diminuiu o tamanho de seu balanço. O Fed, por sua vez, começou a diminuir seu balanço no final de 2017 (mas já em setembro de 2019 voltou a aumentá-lo) e começou a subir os juros em dezembro de 2015 (mas voltou a baixá-los no primeiro semestre de 2019). Em dezembro de 2018 houve uma queda significativa nos índices de bolsa americanos e em setembro de 2019 houve uma crise no mercado das operações compromissadas e o Fed passou a injetar liquidez neste mercado (na prática, fazendo Quantitative Easing, aumentando seu balanço).


Considerando que a zona euro também possui governos extremamente endividados, assim como diversas empresas (incluindo empresas zumbi), também há uma dependência muito grande de taxas de juro artificialmente baixas, e, portanto, uma grande má alocação de recursos. A zona euro está com a taxas de juro negativas há 7 anos e é difícil saber até que ponto estas podem subir sem provocar grandes percalços na economia (assim como aconteceu nos EUA em dezembro de 2018, quando a taxa de juros estava a 2.5%). Mas não é preciso pensar muito para saber que não é um patamar alto. Assim como o Fed, o BCE não pode subir muito a taxa de juros sem prejudicar a economia (ainda mais do que já está).


Estes novos programas de QE, portanto, vão em direção contrária aos recentes anúncios do BCE de realização de tapering (aumentar o balanço a um ritmo menor) e de aumento de juros em 2023. Afinal, quando mais o balanço do BCE aumenta, maior é a dificuldade de aumentar os juros, pois as distorções na economia aumentam e as empresas ficam mais dependentes de endividamento.


 

André Marques