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BCE Começa a Preparar um "Novo QE"

BCE Começa a Preparar um "Novo QE"



O BCE já falou que deve realizar um tapering (diminuir o ritmo do Quantative Easing - QE) e que deve aumentar os juros em 2023. Porém, já está a começar a falar de um “novo QE”, que seria implementado uma vez que o programa de QE “emergencial”, o Pandemic Emergency Purchase Programme (PEPP), fosse encerrado em 2022. O objetivo seria substituir o PEPP e complementar o Asset Purchase Programes (APP), através do qual o BCE tem adquirido cerca € 20 mil milhões/bilhões de dívida mensalmente.


Este “novo QE” seria uma medida se segurança contra as quedas dos títulos de dívida dos governos que ocorreriam uma vez que o PEPP fosse encerrado. Afinal, o mercado não absorve estes títulos na sua totalidade, visto que os governos têm aumentado seu endividamento.


O yield (o rendimento) de diversos títulos de dívida de governos da zona euro sofreram aumentos recentes (o que significa que os preços destes títulos caem e o valor dos ativos das instituições financeiras que os possuem também cai). Ao longo deste ano houve outros aumentos destes yields, mas foram impedidos justamente porque o BCE tem realizado QE, gerando uma má precificação destes títulos e uma má alocação de recursos por parte do mercado financeiro e da economia real.


Veja os gráficos dos títulos de dívida de 10 anos da Itália (dívida de 155.8% do PIB em 2020), de Portugal (dívida de 133.6% do PIB em 2020), Espanha (dívida de 120% do PIB em 2020), Grécia (dívida de 205.6% do PIB em 2020) nos últimos 12 meses:


Figura 1 – Bond de 10 Anos da Itália


Fonte: Trading Economics.


Figura 2 – Bond de 10 Anos de Portugal


Fonte: Trading Economics.


Figura 3 – Bond de 10 Anos da Espanha


Fonte: Trading Economics.


Figura 4 – Bond de 10 Anos da Grécia


Fonte: Trading Economics.


Se considerarmos a inflação de preços da zona euro (3.4% em setembro de 2021), todos estes títulos estão com yield real negativo:


Figura 5 – Inflação de Preços da Zona Euro


Fonte: Trading Economics – Elaboração Própria.


O balanço do BCE já ultrapassou os € 8.3 trilhões. E o O Deposit Facility Rate (taxa que os bancos podem utilizar para fazer depósitos overnight no eurosistema) está em -0.5% desde setembro de 2019. E está em patamar negativo desde junho de 2014.


Figura 6 - Deposit Facility Rate e Balanço do BCE (2009-2021)


Deposit Facility Rate (Linha Verde, Eixo da Esquerda); Balanço do BCE (Linha Laranja, Eixo da Direita).

Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


Como é possível ver na figura acima, desde 2015 o BCE nunca diminuiu o tamanho de seu balanço. O Fed, por sua vez, começou a diminuir seu balanço no final de 2017 (mas já em setembro de 2019 voltou a aumentá-lo) e começou a subir os juros em dezembro de 2015 (mas voltou a baixá-los no primeiro semestre de 2019). Em dezembro de 2018 houve uma queda significativa nos índices de bolsa americanos e em setembro de 2019 houve uma crise no mercado das operações compromissadas e o Fed passou a injetar liquidez neste mercado (na prática, fazendo Quantitative Easing, aumentando seu balanço).


Considerando que a zona euro também possui governos extremamente endividados, assim como diversas empresas (incluindo empresas zumbi), também há uma dependência muito grande de taxas de juro artificialmente baixas, e, portanto, uma grande má alocação de recursos. A zona euro está com a taxas de juro negativas há 7 anos e é difícil saber até que ponto estas podem subir sem provocar grandes percalços na economia (assim como aconteceu nos EUA em dezembro de 2018 (quando a taxa de juros estava a 2.5%). Mas não é preciso pensar muito para saber que não é um patamar alto. Assim como o Fed, o BCE não pode subir muito a taxa de juros sem prejudicar a economia (ainda mais do que já está).


A inflação de preços da zona euro está em 3.4%, acima da meta de 2%. Em julho, o BCE divulgou esta nova meta, que passou a ser um alvo (a ser atingido num “prazo médio”, tolerando desvios acima e abaixo) em vez da antiga meta de “abaixo, mas próxima a 2%”. Desta forma, o BCE pode justificar uma inflação de preços mais alta.


Como afirma o economista Frank Hollenbeck, não faz sentido um banco central ter metas de inflação. A desvalorização da moeda (feita através da expansão monetária), por menor que seja, gera distorções na alocação de recursos, gerando ciclos económicos e impede que haja deflação de preços, o que seria benéfico aos indivíduos.


Este “novo QE” a ser preparado pelo BCE apenas continuaria a aumentar as distorções na alocação recursos (aumentando o risco e a intensidade de uma próxima recessão) e o endividamento dos governos e das empresas (mais dinheiro sendo alocado para pagamento de juros e menos para aumento de produtividade - o que, na melhor das hipóteses, previne a diminuição dos preços; na pior, faz com que os preços subam). Além disto, o QE gera uma maior desigualdade económica, pois os ativos financeiros (que são sobrevalorizados) são detidos em maior volume por indivíduos de maior renda. Os pobres e a classe média baixa sofrem com a inflação de preços (ao consumidor e de imóveis residenciais) e a dificuldade de poupar (salários reais mais baixos devido à inflação de preços, à má alocação de recursos e ao menor investimento em produtividade; ausência de investimentos menos arriscados e de boa rentabilidade devido a taxas de juro negativas).

 



André Marques