Reservas de ouro por País

Cotação Diária da Prata em €

Cotação Diária da Ouro em €

Contacte-nos

Rua de Santo André - Centro Comercial Parque da Cidade Loja L, 2º Piso 4560 - 221 Penafiel Telefone:+351 255 214 495 Email:info@elementum.pt
Telefone: +351 255 214 495 Email: info@elementum.pt

A Verdadeira Inflação

A Verdadeira Inflação

 

Inflação é um dos assuntos mais importantes a serem estudados pela Escola Austríaca de Economia, que possui uma visão diferente do conceito em relação à economia convencional.

 

Na maioria das definições contidas nos manuais de economia, inflação é definida como um aumento generalizado de preços. E as causas podem ser muitas: desde a diminuição da oferta de produtos, a um aumento da oferta monetária. Entretanto, esta definição não pode explicar por que há aumento de preços na economia (em diversos setores ao mesmo tempo) ou todas as outras consequências da inflação.  

 

Um dos melhores autores a quem podemos recorrer para estudar a inflação é o Henry Hazlitt, que escreveu diversos artigos a respeito. Seu livro ‘What You Should Know about Inflation’ é uma excelente fonte para compreender o conceito de inflação, como é criada, e suas consequências. Em sua outra obra, Economics in one Lesson (Inglês-US e Português-BR), o autor também escreve sobre o assunto.

  

O conceito de inflação, de acordo com os economistas da linha austríaca, é um aumento da oferta monetária. A consequência, sim, é um aumento generalizado dos preços dos bens e serviços.


Mas como a inflação é criada? Depende. Há diversas maneiras. Mas é importante saber que a inflação é direta ou indiretamente causada por governos, através dos bancos centrais.

 

O banco central pode simplesmente imprimir dinheiro para cobrir o défice orçamentário do governo, e este dinheiro é jogado diretamente na economia. Foi o que ocorreu no Brasil sobretudo entre 1980 e 1994 (ano em que nasceu o Real). É por isto que o Brasil teve hiperinflação naquela época: enormes quantias de dinheiro eram criadas do nada para comprar títulos de dívida recém-emitidos pelo governo federal para financiar seus gastos. O banco central do Brasil (BACEN) comprava diretamente estes títulos. Além disto, os bancos estaduais financiavam os gastos dos governos de seus respetivos estados e eram resgatados pelo BACEN, que injetava dinheiro nestes bancos, aumentando tando a base monetária/M0, quanto o M1. O governo passou anos com tentativas de parar a hiperinflação com os planos Cruzados, Cruzeiros, Collor, entre outros (implementando novas moedas) e com congelamento de preços.

 

A inflação também pode ser criada de maneiras indiretas:

 

- Sistema de Reservas Fracionárias


Este é um tema importante (e complexo) a ser explorado. Mas, basicamente, o atual sistema bancário é inerentemente inflacionário.

 

Primeiro: a maior parte da oferta monetária não possui lastro. São apenas dígitos eletrónicos. Os bancos comerciais (públicos e privados) não possuem reservas suficientes para cobrir todo o dinheiro que os clientes depositaram nas suas contas. A limitação de levantamentos/saques no Chipre em 2013 é um bom exemplo para lustrar este conceito.


Segundo: quando alguém pede um empréstimo no banco, este adiciona os dígitos eletrónicos na conta do cliente que o pediu. Dinheiro foi criado do nada. O dinheiro destes empréstimos entra diretamente na economia e há uma tendência para uma maior inflação de preços.


O sistema de reservas fracionárias generalizado (utilizado intensamente por quase todas as instituições bancárias ao mesmo tempo) acontece devido ao apoio do banco central, que não só regula o arranjo, mas também protege bancos públicos e privados de potenciais competidores que poderiam eventualmente prover soluções de 100% de reservas. O banco central, portanto, é a arma perfeita que o governo possui para facilmente financiar seus gastos.

 

- Compra de Títulos de Dívida do Governo pelo Banco Central

 

Quando o governo possui um défice orçamentário, pode recorrer ao aumento de impostos, que é impopular, pois o pagador de impostos sente o custo imediatamente e certamente não irá apoiar a medida. O governo pode também reduzir significativamente os gastos públicos, mas, em geral, não é o que ocorre.


Nenhuma destas medidas é inflacionária, pois não ocorre aumento da oferta monetária. Entretanto, o governo consegue, indiretamente, aumentar seus gastos através da inflação e do sistema de reservas fracionárias. Em geral, para fazer política monetária (e ter algum controlo sobre a taxa de juros), bancos centrais compram/vendem títulos de dívida pública aos bancos comerciais para expandir/contrair a base monetária (M0), o que tende a diminuir/aumentar a taxa de juros. Quando o banco central vende títulos ao banco comercial, este pode conceder mais empréstimos, pois suas reservas aumentam. E, caso o faça, a oferta monetária circulante na economia aumenta, pois os bancos comerciais operam sob reservas fracionárias, conforme mencionado acima. Ou seja, quando os bancos concedem empréstimos, criam dígitos eletrónicos (não retiram de poupanças). O dinheiro dos empréstimos (nova oferta monetária) entra diretamente na economia, o que tende a aumentar a inflação de preços.

 

 

Como já mencionado, a consequência da inflação é o aumento de preços. Mas há outra, ainda mais difícil de notar, que é a redistribuição de renda reversa. A nova oferta monetária não entra em todos os setores da economia ao mesmo tempo, nem na mesma proporção. Imagine que o governo imprime dinheiro para cobrir seus gastos e pagar políticos. Estes têm dinheiro (criado do nada) em suas mãos, que será gasto em bens e serviços quando os preços ainda não estiverem maiores. Além disto, imagine que eles vão às lojas e compram computadores que custam 1000 euros cada. Considerando que os bens são escassos, as pessoas que não têm este dinheiro adicional terão de competir contra estes políticos por estes bens. Como estes conseguem o dinheiro do nada, tendem a comprar os computadores com mais facilidade. Assim, a oferta de computadores tende a ser menor e os preços tendem a subir. Além disto, à medida que a nova oferta monetária entra na economia, os preços tendem a aumentar, pois os agentes económicos começam a perceber o aumento da oferta de dinheiro e ajustam os preços. Assim, aqueles que recebem a nova oferta monetária depois que os políticos as gastaram perdem poder de compra.


A inflação, portanto, é um imposto disfarçado. Conforme a nova oferta monetária se espalha na economia, o valor do dinheiro diminui, e os preços tendem a subir (na melhor das hipóteses, são impedidos de cair; ou seja, permanecem constantes).


Com esta ideia, é possível compreender melhor o porquê de o aumento da oferta monetária aumentar os preços. Recursos são escassos. Se uma oferta X de recursos é consumida com dinheiro criado do nada, é consumida em troca de nada. O dinheiro é apenas um meio de troca. Não trocamos dinheiro por um produto ou serviço. Trocamos um produto ou serviço por outro produto ou serviço (o dinheiro apenas facilita a troca, ao evitar que precisemos recorrer ao escambo). Os primeiros recipientes da nova oferta monetária, portanto, ficam numa posição privilegiada de trocar nada (dinheiro criado do nada) por algo (bem ou serviço). A oferta de bens e serviços diminui (é consumida em troca de nada) e os preços tendem a subir.





É importante notar que não é necessário (nem economicamente eficiente/benéfico) aumentar a oferta monetária a uma taxa constante para compensar o aumento da produção de bens e serviços. Todo aumento artificial da oferta monetária é inflacionário. Este é um dos motivos pelos quais o ouro foi escolhido como meio de troca por tanto tempo. Sua oferta é escassa e há um custo de extração (um custo para aumentar sua oferta, diferente da moeda fiduciária de curso forçado, que pode ser criada apenas com o apertar de algumas teclas no computador). Portanto, o aumento da oferta (finita) de ouro é lento. Para saber mais, clique aqui e aqui.

    

Para eliminar a inflação de preços, é necessário simplesmente parar de aumentar a oferta monetária. Isto pode ser feito, por exemplo, através de um padrão-ouro (ver aqui e aqui) ou de um Currency Board.



André Marques