Reservas de ouro por País

Cotação Diária da Prata em €

Cotação Diária da Ouro em €

Contacte-nos

Rua de Santo André - Centro Comercial Parque da Cidade Loja L, 2º Piso 4560 - 221 Penafiel Telefone:+351 255 214 495 Email:info@elementum.pt
Telefone: +351 255 214 495 Email: info@elementum.pt

A Inflação Realizada pelo BCE Prejudica o Crescimento Económico da Zona Euro

  • Home
  • /
  • Notícias
  • /
  • A Inflação Realizada pelo BCE Prejudica o Crescimento Económico da Zona Euro

A Inflação Realizada pelo BCE Prejudica o Crescimento Económico da Zona Euro



A inflação monetária do BCE não só aumenta a inflação de preços da zona euro (que atingiu 4.1% em outubro), mas também prejudica o crescimento económico.


Como já mencionamos aqui, o Quantitative Easing (QE) e a expansão da base monetária (M0), por si só, não é suficiente para provocar um aumento da inflação de preços ao consumidor (mas provoca inflação dos preços de ativos financeiros e imobiliários, além da perpetuação de empresas zumbi, da mada vez maior fragilidade da economia e de sua dependência da taxas de juro artificialmente baixas, e da diminuição dos salários em termos reais). A oferta monetária contida no M0 não está efetivamente a circular na economia (em sua maioria, são reservas bancárias depositadas junto ao banco central), e, portanto, não provoca um grande e imediato aumento dos preços de produtos e serviços. Observe que entre 2015 e início de 2020, o BCE aumentou o seu balanço (o que significa que aumentou o M0 para comprar ativos, como títulos de dívida de governos da zona euro), mas os agregados M1, M2 e M3 que representam a oferta monetária que afetivamente está em circulação.


- M1: Moeda em circulação (que inclui os depósitos em contas à ordem/contas correntes) e depósitos overnight;

- M2: M1 + depósitos com prazo de vencimento até dois anos e depósitos resgatáveis com aviso de até três meses;

- M3: M2 + repurchase agreements (operações compromissadas), unidades de participação de fundos de money market (fundos que investem em dívidas de curto prazo) e títulos de dívida com maturidade de até dois anos.


Observe que entre 2015 e o início de 2020, o BCE aumentou o M0 (e o seu balanço, que já ultrapassou os 8.4 trilhões de euros), mas o M1, M2 e M3 não aumentaram de forma tão imediata e significativa quanto a partir de março de 2020. E a inflação de preços da zona euro só passou a aumentar de forma significativa a partir de 2021 (após o aumento mais significativos do M1, M2 e M3). Visto que, a partir de 2020, o BCE (assim como o Fed, o banco central dos EUA) passou a comprar enormes quantias de títulos de dívida do governo recém-emitidos, a oferta monetária recém-criada pelo BCE entra diretamente na economia (aumentando o M1, M2 e o M3).



Figura 1 – Balanço do BCE (2009-2021)


Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


Figura 2 – M1 da Zona Euro, em Milhões de Euros (2012-2021)


Fonte: Trading Economics – Elaboração Própria.


Figura 3 – M2 da Zona Euro, em Milhões de Euros (2012-2021)


Fonte: Trading Economics – Elaboração Própria.


Figura 4 – M3 da Zona Euro, em Milhões de Euros (2012-2021)


Fonte: Trading Economics – Elaboração Própria.


Figura 5 – Inflação de Preços da Zona Euro (2011-2021)


Fonte: Trading Economics – Elaboração Própria.


Porém, a expansão monetária do BCE prejudica o real crescimento económico da zona euro (mesmo em períodos em que a inflação de preços ao consumidor não cresce muito) pois, como já mencionado, o mero aumento do balanço do BCE e do M0, mesmo não aumentando os outros agregados monetários significativamente, provocam distorções na economia, que se enfraquece e, na melhor das hipóteses cresce a um ritmo muito lento.      


Veja este gráfico publicado pelo economista Thorsten Polleit. A linha vermelha representa o agregado monetário M3; a linha preta, o PIB real (ou seja, o PIB que leva em conta a inflação de preços); e a linha pontilhada, a estimativa de tendência da oferta monetária. [Nota: um aumento do PIB não necessariamente significa uma melhoria da atividade económica; veja o porquê aqui e aqui. Até mesmo o aumento do PIB real ainda não representaria, necessariamente, uma um crescimento económico, pois a inflação de preços divulgada pelos governos tende a ser, no mínimo, um pouco menor do que a real inflação de preços sofrida pelos consumidores]. Os dados estão indexados à base de 100, com início no primeiro trimestre de 1999 e fim no terceiro trimestre de 2021.


Figura 6 – M3 e PIB Real da Zona Euro (1999-2021)


Fonte: Definitiv; Calculations Degussa.


Apenas entre o quarto trimestre de 2019 e o terceiro trimestre de 2021, houve um aumento de 17% do M3, enquanto o PIB real ficou inalterado (após uma queda e subsequente recuperação).


A inflação monetária do BCE (e de qualquer banco central) atrasa o crescimento real da economia. O banco central alega que a inflação é crucial para o crescimento económico. Mas a realidade é justamente o oposto. Em um cenário inflacionário, na melhor das hipóteses, a economia cresce a um ritmo mais lento do que cresceria se não houvesse inflação monetária.


O aumento da oferta monetária causa distorções na alocação de recursos e ciclos económicos, além de, como já mencionado, causar aumento de preços de ativos financeiros e imobiliários, e uma pressão na inflação de preços ao consumidor (que, no mínimo, cresce a um ritmo lento, impedindo que haja uma deflação de preços).


Christine Lagarde, a presidente do BCE, admitiu que a inflação de preços será maior e mais duradoura do que o BCE esperava (mas falou que irá diminuir no próximo ano). Portanto, afirma Lagarde, uma política monetária contracionista (ou seja, aumento de juros e diminuição do balanço do BCE) agora seria prejudicial à atividade económica e faria mais mal do que bem, uma vez que os preços irão diminuir sem a necessidade de aumentar os juros e contrair o balanço do BCE. Lagarde também afirmou que as condições para um aumento da taxa de juro e 2022 são muito “improváveis”.


Se a inflação de preços ao consumidor irá mesmo baixar no próximo ano mesmo como BCE mantendo o ritmo atual de aumento de seu balanço (e comprando títulos de dívida de governos recém-emitidos), não posso afirmar com certeza. Mas, certamente, se grau de expansão monetária atual dos agregados M1, M2 e M3 permanecer, será um fator para o aumento da inflação de preços.


Lagarde está certa (embora não admita o real motivo) ao dizer que a economia da zona euro seria abatida pelo aumento de juros e pela contração do balanço do BCE. As distorções na alocação de recursos pela economia causadas pela expansão do M0 e das taxas de juro negativas são grandes de tal forma que não é possível eliminá-las sem provocar uma recessão. A economia está presa neste dilema (ou o BCE aumenta os juros para conter a inflação de preços, causando uma recessão; ou mantém a política monetária expansionista, fazendo pressão na inflação de preços) justamente por causa do BCE. Uma vez que é feita uma política monetária expansionista, não há escolhas sem dores.


Como já mencionado, o balanço do BCE já ultrapassou os € 8.4 trilhões. E o O Deposit Facility Rate (taxa que os bancos podem utilizar para fazer depósitos overnight no eurosistema) está em -0.5% desde setembro de 2019. E está em patamar negativo desde junho de 2014.


Figura 7 - Deposit Facility Rate e Balanço do BCE (2009-2021)


Deposit Facility Rate (Linha Verde, Eixo da Esquerda); Balanço do BCE (Linha Laranja, Eixo da Direita).

Fonte: St. Louis Fed – Elaboração Própria.


Como é possível ver na figura acima, desde 2015 o BCE nunca diminuiu o tamanho de seu balanço. O Fed, por sua vez, começou a diminuir seu balanço no final de 2017 (mas já em setembro de 2019 voltou a aumentá-lo)  e começou a aumentar os juros em dezembro de 2015 (mas voltou a baixá-los no primeiro semestre de 2019). Em dezembro de 2018 houve uma queda significativa nos índices de bolsa americanos e em setembro de 2019 houve uma crise no mercado das operações compromissadas e o Fed passou a injetar liquidez neste mercado (na prática, fazendo Quantitative Easing, aumentando seu balanço).


Considerando que a zona euro também possui governos extremamente endividados, assim como diversas empresas (incluindo empresas zumbi), também há uma dependência muito grande de taxas de juro artificialmente baixas, e, portanto, uma grande má alocação de recursos. A zona euro está com a taxas de juro negativas há 7 anos e é difícil saber até que ponto estas podem subir sem provocar grandes percalços na economia (assim como aconteceu nos EUA em dezembro de 2018 (quando a taxa de juros estava a 2.5%). Mas não é preciso pensar muito para saber que não é um patamar alto. Assim como o Fed, o BCE não pode subir muito a taxa de juros sem prejudicar a economia (ainda mais do que já está).


A inflação de preços da zona euro está em 4.1%, acima da meta de 2%. Em julho, o BCE anunciou esta nova meta, que passou a ser um alvo (a ser atingido num “prazo médio”, tolerando desvios acima e abaixo) em vez da antiga meta de “abaixo, mas próxima a 2%”. Desta forma, o BCE pode “justificar” uma inflação de preços mais alta.


Como afirma o economista Frank Hollenbeck, não faz sentido um banco central ter metas de inflação. A desvalorização da moeda (feita através da expansão monetária), por menor que seja, gera distorções na alocação de recursos, gerando ciclos económicose impede que haja deflação de preços, o que seria benéfico aos indivíduos.

 


André Marques